Se você está iniciando no mundo dos vinhos, é provável que já tenha se visto em frente a uma prateleira com diversas taças e pensado: “por que há tantas taças diferentes?” Para o iniciante, comprar uma taça é tão complicado quanto escolher o vinho. Mas, mesmo os enófilos com alguma prática, podem se perder diante de tanta variedade.
Então, a primeira atitude é entender por que há tantas taças para vinho de formatos diferentes. Da mesma maneira que alguns tipos de roupa ajudam a valorizar o corpo, para tirarmos o melhor proveito de determinados vinhos também é necessário escolher a taça ideal.

PORQUÊ EXISTEM TANTOS TIPOS DE TAÇAS?
Como cada vinho possui características únicas dependendo da uva com que é produzido, reza a lenda que é necessário ter uma taça para cada tipo. A renomada marca austríaca Riedel, por exemplo, é uma das que acredita nesta premissa e possui cerca de 400 tipos e tamanhos de taças, uma para cada espécie de uva e/ou região do mundo.
Aí, você se pergunta: eu preciso de todas elas? Não, não precisa! A regra para iniciar o caminho é simplificar. Se você não quer investir muito em taças agora, a dica é comprar uma taça “coringa”, o modelo ISO (International Standards Organization): uma taça desenvolvida para degustações técnicas e que serve para qualquer vinho.
Depois, é comum aconselhar que você tenha quatro modelos básicos: uma taça para brancos, duas para os diferentes tipos de tintos (Bordeaux e Borgonha) e uma para espumantes. Se quiser, pode ainda ir além, com uma para rosados e uma para doces (apesar de a de vinho branco também servir para essa função).
TIPOS DE TAÇAS
BORDEAUX (VINHO TINTO)

As taças Bordeaux foram feitas para abrigar vinhos mais encorpados e ricos em tanino, feitos principalmente a partir da uva Cabernet Sauvignon. Elas possuem o bojo grande, mas têm a borda mais fechada para evitar a dispersão de aromas, concentrando- os. A aba fina direciona o vinho para a ponta da língua, permitindo que a untuosidade e os sabores frutados dominem antes que os taninos sejam direcionados para a parte de trás da boca. É indicada para Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Syrah, Tannat, entre outras uvas.
BORGONHA (VINHO TINTO)

Ao contrário da taça Bordeaux, a Borgonha foi pensada para vinhos mais complexos, leves e elegantes, como os produzidos com a uva Pinot Noir. Portanto, as taças são em formato balão para que haja mais contato com o ar, o que permite que o buquê se libere mais rapidamente. Este recipiente foi feito para que o vinho explore muito o nariz. O formato direciona o fluxo acima da ponta e do centro da língua, diminuindo a acidez e acentuando as qualidades mais arredondadas e maduras do vinho. Além da Pinot Noir, também é ideal para apreciar com vinhos da Rioja tradicional, Barbera Barricato, Amarone, Nebbiolo e etc.
CHARDONNAY (VINHO BRANCO)

As taças têm corpo menor do que as para vinho tinto por dois motivos. Primeiro, o vinho branco precisa ser consumido em temperaturas mais baixas e, portanto, em um recipiente menor, que permita menos trocas de calor com o ambiente. Segundo, porque precisa que sejam realçadas as notas de frutas. A aba estreita entrega o fluxo do vinho através das áreas da língua com equilíbrio entre doçura e acidez, crucial para os brancos.
BURGUNDY (VINHO ROSÉ)

Os vinhos rosés possuem os taninos dos tintos, mas os aromas dos brancos. Por esse motivo, a taça costuma ser menor que a dos brancos, mas com bojo maior. Ela deve acentuar a acidez do vinho, equilibrando assim sua doçura. Se não tiver uma taça específica para rosés (poucas marcas possuem), pode usar uma para vinho branco.
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